Letra e música

Sem Eira Nem Beira

Padre Zezinho

Letra

José trabalhava na carpintaria,

cuidando zeloso da sua Maria.

Maria esperava chegar sua hora,

no ventre levava seu filho e Senhor.

Mas eis que um decreto os arranca

do teto

que foi testemunha do mais puro

amor.

E assim foi que antes de haveres

nascido,

te vistes banido pelo imperador.

Por longas estradas que ainda não

vias,

sem eira nem beira calado seguias.

No ventre materno escondido rumavas

p'ra onde mandava teu Pai lá do Céu.

Mas eis que em Belém não encontras

morada,

Maria cansada não pôde esperar.

E assim Tu nascestes mirando as

estrelas,

no ventre da terra e distante do

lar.

A Tua pobreza escondia um segredo,

e naquele palácio o patrão teve

medo.

E diz que um rei paranóico e doente,

num gesto demente mandou te matar.

Mas eis que José pressuroso e

aflito,

se exila no Egito p'ra te proteger.

E assim foi que ainda pequeno e

calado,

te viste exilado p'ra sobreviver.

Voltaste do exílio para a Galiléia,

que o filho do rei governava a

Judéia.

Na carpintaria da casa de aldeia,

não representavas perigo nenhum.

José e Maria te viram crescendo,

e era ali um por todos e todos por

um.

Mas eis que o fiel carpinteiro

morria,

levaste Maria p'ra Carfanaum.

A vida era dura, passavam os dias,

o tempo chegara e de casa partias.

Alguém perguntou de que em lado

moravas,

disseste em resposta o que dizem

milhões.

"Se queres saber o caminho que eu

traço,

acompanha meu passo, vem ver e

sentir.

As aves do céu e as raposas tem

casa,

mas eu nem sequer tenho aonde

dormir."

Eu olhos os milagres de arquitetura,

colossos enormes rasgando as

alturas.

E penso no povo que sofre e padece

por falta de teto, de amor e de pão.

E leio o decreto que o tira do teto

porque não pagou seu patrão e

credor.

E tu que já foste pisado e esmagado,

exilado e humilhado. Liberta teu

povo, liberta Senhor.

E tu que já foste pisado e esmagado,

exilado e humilhado. Liberta teu

povo.